quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Maquiavel Pedagogo
ou o ministério da reforma psicológica


Pascal Bernardin




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Capítulo III
A UNESCO, A EDUCAÇÃO E O CONTROLE PSICOLÓGICO



Em 1964, a Unesco publicou um importante trabalho, intitulado A modificação das atitudes.30 Em princípio, tal obra trata das atitudes intergrupos – raciais, religiosas e étnicas –, mas as tétnicas ali descritas, as mesmas que vimos anteriormente, são perfeitamente aplicáveis a vários outros domínios, como o autor mesmo reconhece. Após haver descrito a experiência de Sherif sobre as normas de grupo, acrescenta:

"No que concerne à formação e à modificação das atitudes da sociedade em geral, os corolários dos resultados acima mencionados são evidentes" (p. 24; grifo nosso).

Igualmente, tendo descrito uma experiência de Brehm e Cohen, ele assevera que:

"Os corolários desses resultados, para a modificação das atitudes no plano da vida social, são evidentes" (p. 40).

Assim, não é por acaso que esse trabalho se intitule A modificação das atitudes, e não A modificação das atitudes intergrupos. A extensão do campo de aplicação dessas técnicas de manipulação psicológica, que atualmente abrange o sistema educacional francês, justifica a importância que damos a tal obra. Convém frisar nossa intenção: não é o objetivo dessa publicação – o aperfeiçoamento das relações intergrupos – que denunciamos, mas sim os métodos empregados para obter esse resultado, suscetíveis de ser utilizados para fins muito diversos, conforme já vimos e voltaremos a ver. Ademais, a filosofia política claramente manipulatória que fundamenta tais práticas pressupõe um desprezo absoluto pela liberdade e dignidiade humanas e pela democracia. Ver-se-á que o autor visa explicitamente à difusão das técnicas de manipulação psicológica nas escolas. Compreende-se facilmente que um dispositivo assim, uma vez estabelecido, poderá ser aplicado para mudar as "atitudes sociais em geral", ao arbítrio dos interesses dos governantes. E, de fato, as publicações das organizações internacionais discorrem frequentemente sobre a modificação de atitudes éticas, culturais, sociais, políticas e espirituais.

O prefácio (não assinado) dessa obra procede claramente da Unesco. Lê-se aí, em particular:

A Unesco, que persevera na sua ação em favor dos direitos do homem e que, ainda, participa com trabalhos científicos na luta contra o preconceito e a discriminação, já há tempos considera a importância que tem o estudo da modificação das atitudes para as atividades educativas que visem a combater todas as formas de dirscriminação. [...] Dr. Davis é membro do Departamento de Psicologia da Universidade de Illinois, onde ele exerce as funções de professor e de pesquisador. Após especializar-se em psicologia social e em saúde mental – aí compreendidos os aspectos pedagógicos dessas disciplinas –, tem-se dedicado a pesquisas sobre a modificação das atitudes em escala internacional (p. 3; grifo nosso).

Frases bastante significativas, que condensam em poucas palavras os seguintes temas: modificação de atitudes em escala internacional, Pedagogia e Educação, Psicologia Social. Algumas linhas adiante, o mesmo prefácio acrescenta (um ponto cuja importância tornar-se-á mais evidente adiante neste capítulo):

Ainda que o conteúdo do presente inventário implique unicamente, claro está, a responsabilidade de seu autor, que de modo algum é o porta-voz oficial da Unesco, o Secretariado estima que a importância das pesquisas sociopsicológicas em questão basta para justificar a publicação deste trabalho, o qual, possivelmente, consistirá em um estímulo aos especialistas de diferentes áreas a dar prosseguimento às suas pesquisas ou, talvez, a empreender novas (p. 3; grifo nosso).


A modificação de atitudes em escala internacional

Podemos portanto concluir que, incontestavelmente, possuímos conhecimentos cuja aplicação generalizada nos permite atingir nossos objetivos, a saber: aperfeiçoar as atitudes intergrupos e as relações entre grupos. Evidentemente, a questão que se coloca é a de saber como se podem aplicar esses métodos em larga escala. [...]

Pode-se então dizer que possuímos, pelo menos, vários desses conhecimentos necessários, mas que o que importa é tornar tais conhecimentos acessíveis, bem como assegurar a sua aplicação. Esse processo não se dará sem dificuldades, mas tais dificuldades não são insuperáveis (págs. 48-49).

Os estudos orientados para a comunidade, os quais levam em conta esse fato [a tendência à conformidade aos costumes estabelecidos], visam à "reconversão", em certo sentido, de comunidades inteiras, nas quais é necessária a modificação das normas e das práticas estabelecidas, a fim de aperfeiçoar as atitudes intergrupos e de colocar todos os grupos em pé de igualdade. Para tanto, faz-se necessário apelar ao auxílio de políticos, de líderes comunitários, de emissoras de rádio, da imprensa local e de outros "formadores de opinião", a fim de provocar as mudanças na comunidade inteira (p. 55).


A aplicação das Ciências Sociais

Não se poderia chegar a tais resultados, a uma modificação de atitudes e de comportamentos em escala internacional, sem colocar em prática técnicas confirmadas cientificamente; tal é, efetivamente, a posição defendida pelo autor:

[...] pois, assim como nosso mundo tecnológico seria inconcebível sem o progresso das ciências, exatas e naturais, do mesmo modo parece evidente que as ciências sociais têm um papel importante a desempenhar na resolução dos problemas humanos de nossa época (p. 7).

Entretanto, várias dessas questões, oriundas dos resultados de pesquisas experimentais, representam não somente um interesse teórico, mas, além disso, implicações, de grande interesse prático para a tomada de decisões de ordem geral, que demandam programas de ação. Portanto, trataremos aqui, brevemente, de alguns problemas teóricos levantados por pesquisas recentes, e de suas implicações práticas.

Não se limitando a estudar os numerosos fatores associados à modificação de atitudes, vários pesquisadores concentraram-se também na questão do processo mesmo de mudança, ou seja, na teoria da modificação de atitudes. Entre as teorias relativamente recentes que têm estimulado as pesquisas, encontra-se a da "dissonância cognitiva", de Festinger (1967) (0p. 39).

Além dos já citados trabalhos de Festinger e de Sherif, o autor apoia-se sobre os de Asch (p. 20 e 24) e de Lewin (p. 26). As técnicas clássicas de manipulação psicológica são requisitadas: dramatização ou psicodrama, manipulação de grupos etc.:

Um dos corolários da teoria e Festinger é o fato de que uma declaração ou ação públicas em desacordo com a opinião privada do sujeito podem gerar nele uma dissonância cognitiva e, assim, em diversos casos, acarretar uma modificação de atitude. Janis e King (1954, 1956) demonstraram que os examinandos, quando levados a desempenhar uma atividade psicodramática em desacordo com sua opinião privada, podem sofrer, por causa desse comportamento, uma modificação de atitude. Assim, um psicodrama improvisado tende a ser mais eficaz que um psicodrama determinado previamente (p. 40).

Outras provas dessa resistência [a se deixar influenciar pelos métodos de introspecção] foram apresentadas por Culbertson (1955) em um estudo sobre a modificação de atitudes de base afetiva mediante o psicodrama. Esse autor descobriu que o psicodrama constitui um meio geralmente mais eficaz para modificar tais atitudes (p. 19).

A experiência escolar pode desempenhar um papel capital, ao desenvolver particularmente aqueles aspectos da personalidade relacionados às interações sociais da criança. A aplicação das pesquisas sobre grupos apresenta igualmente uma importância particular, uma vez que, como se sabe, o processo educacional não consiste apenas na transmissão de informações, mas se trata, mais do que isso, de um fenômeno altamente complexo de dinâmica de grupo, no qual intervêm as relações, de difícil análise, entre aluno e professor, e sobretudo entre o aluno e seus pares. Na medida em que o grupo de pares representa para a criança um quadro de referência, ele contribui em larga medida para a modificação das atitudes sociais (p. 45).

São esses fenômenos de dinâmica de grupo e a manipulação psicológica que lhes parecem justificar, como imprescindível, a introdução das psicopedagogias.

Do mesmo modo, entre as provas mais concludentes em favor da influência do grupo sobre a atitude do indivíduo, figuram os resultados dos célebres trabalhos de Asch (1951, 1952). Essas experiências centraram-se nas condições sob as quais o indivíduo ou resiste ou termina por ceder às pressões do grupo, assim que essas pressões são percebidas como contrárias à realidade dos fatos (p. 24).

Flowerman (1949), contestando as conclusões de Rose (1948), deprecia o valor e a eficácia atribuídas à propaganda de massa como um meio de diminuir o preconceito, e antes preconiza as técnicas fundadas sobre as estruturas de grupo e as relações interpessoais (p. 35).

Um grande número de pesquisas demonstraram que, para colegiais e universitários, o fato de pertencer a grupos de pares pode ter um efeito cada vez maior sobre a modificação de suas atitudes à medida que, para eles, esses grupos se tornam mais importantes como grupos de referência. A conclusão que se pode tirar desses estudos é que, mesmo que as atitudes intergrupo negativas se formem, frequentemente mediante a adoção da norma da célula familiar, grupo primário – e os programas de ação bem poderiam levar em conta os pais, enquanto agentes de modificação de atitudes –, ainda assim não devemos nos deixar desencorajar por tais dificuldades, com as quais um programa de ação desse gênero deve se defrontar. Com efeito, os grupos de pares, sobretudo aqueles que se formam no âmbito da escola ou da universidade, podem muito bem tornar-se grupos de referência e promover um efeito positivo sobre a modificação das atitudes, contribuindo dessa forma a dirimir o "atraso cultural", tão evidente na sociedade contemporânea (p. 25).

Ao leitor decerto não escapou o expediente de recrutamento das famílias, ao qual faz eco esta outra citação:

No que concerne às relações entre pais e filhos, encontramo-nos diante do seguinte problema: para conduzir as crianças de modo a aperfeiçoar as relações entre grupos, necessário seria começar pela modificação de seus pais (p. 45).

Porém, mais que disposições e comportamentos, são os valores, que fundamentam um e outro, que devem ser subvertidos:

Os teóricos modernos da educação compreenderam que a transmissão de informações, por si só, não é suficiente para que se atinjam os objetivos da educação, mas que a totalidade da personalidade , particularmente, a situação de grupo inerente ao processo de aprendizagem possuem uma importância capital. Kurt Lewin, um dos grandes pioneiros da pesquisa e da ação combinadaas no campo da dinâmica de grupos, contribuiu muito, junto com seus colabradores, para dar à pedagogia essa nova orientação. Ele salientou a necessidade de se considerar a educação como um processo de grupo: o sentimento, experimentado pelo indivíduo, de participar da vida de um grupo é, segundo Lewin, de uma importância fundamental para a aquisição de ideias novas. Ele escreveu31 (1948, p.59): "Consideramos muito importante que o processo de reeducação se dê numa atmosfera de liberdade e de espontaneidade: é de vontade própria que o indivíduo participa das sessões, isentas, aliás, de todo formalismo; ele deve sentir-se livre para expressar suas críticas, em segurança afetiva e livre de qualquer pressão. Se a reeducação significa o estabelecimento de um novo superego, decorre daí necessariamente que os objetivos visados só serão atingidos quando a nova série de valores aparecer ao indivíduo como algo que ele tenha escolhido livremente" (p. 47).

Compreende-se facilmente, portanto, a versão manifestada por muitos daquekes que veem o nosso sistema educacional ser invadido pelas psicopedagogias: uma mudança de valores constitui uma revolução – psicológica – muito mais profunda que uma revolução social.


A educação

Às citações anteriores, que fartamente demonstraram o papel que alguns pretendem para as ciências sociais na manipulação psicológica das populações, acrescentemos ainda as seguintes, que tratam particularmente da educação:

Em sua [Adorno et al.] opinião, os resultados de suas pesquisas poderiam ser aplicados à educação, à puericultura e às atividades de grupo que se inspiram nos princípios da psicoterapia coletiva (p. 16).

Os efeitos sobre os sistemas educacionais submetidos a tais influềncias são, naturalmente, os já esperados:

Resumindo os efeitos da educação sobre o preconceito, a discriminação e a aceitação do fim da segregação racial no sul dos Estados Unidos, Tumin, Barton e Burrus (1958) asseveram que um aumento de instrução tende a produzir deslocamentos perceptíveis:

a) do nacionalismo ao internacionalismo, no plano político;
b) do tradicionalismo ao materialismo, no plano da filosofia social geral;
c) do senso comum à ciência, como fontes de provas aceitáveis;
d) do castigo à recuperação, na teoria dos regimes penitenciários;
e) da violência e da ação direta à legalidade, como meios políticos;
f) da severidade à tolerância, em matéria de educação infantil;
g) do sistema patriarcal à igualdade democrática, em matéria de relações conjugais;
h) da passividade ao ímpeto criador, no que diz respeito aos divertimentos e ao lazer.

Esse resumo parece indicar que a educação provoca uma larga e profunda modificação das atitudes sociais em geral, num sentido que deve contribuir ao estabelecimento de relações construtivas e sadias entre os grupos (p. 46; grifo nosso).

Impossível constatar mais claramente que o que aí se busca é, na realidade, uma "larga e profunda modificação das atitudes sociais em geral". Notemos, contudo, para restabelecer a verdade, que não é um aumento da educação que leva ao mundialismo, ao materialismo e à permissividade – o que conduz a isso é um aumento da educação revolucionária. Teria esquecido o autor que os séculos passados puderam contar com homens eruditos, cuja cultura, essa sim autêntica, nada tinha que invejar às produções de Jack Lang?

Por fim, a questão da formação dos educadores é tratada extensivamente:

As ideias pessimistas de vários autores sobre a eficácia da educação como um meio de aperfeiçoar as relações entre grupos [e as atitudes sociais em geral, como acabamos de ver] justificam-se desde que se fique limitado à concepção tradicional de educação e que, nela, note-se tão-somente o aspecto da comunicação de informações. Mas não há quem se oponha a que os conhecimentos modernos sejam inculcados ao educador a fim de lhe permitir um desempenho mais eficaz de sua tarefa. Isso não quer dizer que todos os professores devam receber uma formação de psicólogo, de sociólogo etc., mas sim que os princípios fundamentais da Psicodinâmica, da dinâmica de grupo e da Sociologia bem poderiam figurar no programa de sua formação. Seria possível – ainda que isso não seja o essencial de nossa proposta – apresentar os resultados das pesquisas sob uma forma apropriada, que as tornasse inteligíveis aos educadores que possuem um conhecimento técnico limitado da pesquisa sociológica. É claro que, além disso, seria possível dar uma importância maior, nos programs das escolas normais, às disciplinas que se relacionam diretamente à questão do aperfeiçoamento das relações entre grupos. Watson32 (1956, p. 309) diz com muita propriedade: "Importa é tratarmos, não de modestos acréscimos ao nosso atual programa de ensino, mas sim de transformações profundas em nosso plano de estudos, em nosso modo de seleção de professores e em toda nossa concepção de ensino público. Devemos refletir sobre a necessidade, para todos os dirigentes da área da educação, de uma reorientação e de competências de ordem política" (p. 47)


Totalitarismo?

Em sua experiência de formação [nas escolas normais], Tausch utilizou diversas noções próprias da Psicologia Coletiva não Diretiva (Rogers,33 1951) e demonstrou que tais princípios são aplicáveis no domínio da educação. Da mesma forma, Wieder34 (1951) demonstrou a aplicabilidade dos  m´etodos de terapia coletiva em um "estudo comparativo da eficácia de dois métodos de ensino de Psicologia, cada curso com 30 horas de duração, para a modificação das atitudes associadas ao preconceito racial, religioso ou étnico". Enquanto o método tradicional,de exposição seguida de discussão, não alcançou modificar de modo significativo as atitudes intergrupos, um segundo método, valendo-se dos princípios da terapia coletiva, das técnicas não diretivas e do sociodrama, favoreceu uma abertura pessoal (desenvolvimento da intuição, maior aceitação de si, redução das atitudes ligadas ao preconceito racial, religioso ou étnico) (p. 48).

Lembremos que não são apenas as atitudes intergrupos que se busca modificar, mas sim as atitudes sociais em geral. Por outro lado, conhecendo a força e o tenaz enraizamento dos preconceitos raciais, religiosos ou étnicos, que, não obstante, o poder dos métodos de manipulação psicológico logram sujeitar, não há como deixar de experimentar a mais viva inquietação, ao ver essas mesmas técnicas empregadas contra atitudes em geral menos fortemente enraizadas, como as atitudes políticas, econômicas, sociais, ecológicas, éticas etc.


A manipulação da cultura

Toda revolução psicológica requer uma revolução cultural.  Posteriormente, retomaremos detalhadamente esse assunto, considerando o quanto o sistema educacional transformou-se em um dos mais importantes veículos da revolução cultural. Em todo caso, o autor nos dá indicações que merecem ser apreciadas desde já:

O fato de que a cultura e a sociedade, em seu conjunto, sejam um fator muito importante na formação, na conservação e(ou) na modificação das atitudes sociais é uma evidência à qual já nos referimos diversas vezes. Mas em que medida os programas de ação prática são realizáveis, uma vez que seu combate se desenrola numa frente tão vasta? Como se pode modificar uma cultura, que repousa sobre tradições seculares, ou reformar toda uma sociedade? Sem dúvida, é dificilmente imaginável que uma só pessoa ou mesmo um pequeno grupo de pessoas possa mudar completamente, do dia para a noite, uma sociedade moderna, de estrutura democrática e pluralista. Por outro lado, não é improvável que, mediante esforços concretos e com a aplicação de conhecimentos modernos, grupos de indivíduos possam acelerar a evolução social de maneira a redimir certos "atrasos culturais", nem se pode dizer que tais grupos não devam empreender tal ação (p. 57; grifo nosso).

Os estudos que acabamos de referir ilustram simplesmente o fato de que as mais importantes mudanças de atitude e de comportamento no conjunto de uma sociedade são possíveis ao final de um certo tempo. Poderíamos citar muitos outros casos que confirmam essa conclusão. Essas modificações são o resultado cumulativo dos esforços combinados de diversas pessoas e organizações que utilizam modos e métodos diferentes de abordagem. Mas a questão que aqui nos interessa saber é: em que medida é possível agir sobre o conjunto de ua sociedade? Não nos seria possível, por ora, examinar em seus detalhes os vastos problemas de teoria social levantados por essa questão, mas gostaríamos de assinalar alguns métodos aplicáveis nesse nível. Não há dúvida de que, por exemplo, as declarações públicas de altas personalidades do governo e de outros dirigentes cuja opinião é respeitada pela população podem exercer uma enorme influência sobre as atitudes e o comportamento dessa população. As medidas de ordem legislativa oferecem à sociedade um outro meio, um pouco mais coercitivo, de exercer sua vontade sobre os indivíduos que a compõem. Do mesmo modo, aquelas forças econômicas que agem sobre o conjunto da sociedade desempenham um papel capital na vida quotidiana dos indivíduos, condicionando, assim, suas atitudes e seu comportamento. Por fim, mencionaremos alguns dos grandes problemas ligados ao emprego dos meios de informação, os quais constituem um dos principais veículos dos quais a sociedade se utiliza para comunicar, a seus membros, suas normas culturais e o comportamento que deles ela espera (p. 58).

Porém, se consideramos os meios de informação, sob um ângulo mais vasto, como instrumentos que permitem à sociedade modificar as atitudes dos indivíduos num sentido desejado, importa examinar a questão relativa à intenção que orienta o emprego dos meios de comunicação; dito de outra forma: trata-se de saber quem dispõe desses meios. Evidentemente, essa questão é bastante delicada, e traz consigo importantes implicações políticas, que não iremos ponderar aqui. De qualquer modo, cabe-nos observar que tal questão não pode ser negligenciada indefinidamente (p. 59).

A questão do emprego dos meios de comunicação como instrumentos de modificação de atitudes coloca, por si só, problemas gerais que convém sejam considerados a partir do ponto de vista do conjunto da sociedade ou da cultura (p. 29).





30E. E. Davis, La modification des attitudes, Rapport et documents de sciences sociales, nº 19, Paris, Unesco, 1964.

31K. Lewin, Resolving social conflicts, New York, Harper Bros, 1948.

32G. Watson, Education and intergroup relations, Columbia Teachers College Record, 57, p. 305-9, 1956.

33C. R. Rogers, Client-centered therapy: its current pratice, implications and theory. Boston, Houghton, 1951.

34G.S. Wieder, A comparative study of the relative effectiveness of two methods of teaching a thirty-hour course in psychology in modifying attitudes associated with racial, religious and etchnic prejudice. Unpublished Ph. D. diss, New York tlniversity, New York, 1951.


BERNARDIN, Pascal. Maquiavel Pedagogo – ou o ministério da reforma psicológica. 1 ed. Ecclesia e Vide Editorial. Campinas, SP: 2013, pp. 39-48

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O videoclipe lírico da música "Only" retrata Nicki Minaj como uma ditadora num cenário ao estilo nazista. Seus acólitos Lil Wayne, Drake e Chris Brown representam vários ramos da elite oculta. Por que rappers iriam querer glorificar um regime que matou e oprimiu milhõesespecialmente minorias? Porque eles são marionetes da elite – e a elite ama, em segredo, ditaduras opressivas.





Vídeoclipes líricos são geralmente vídeos simples que mostram a letra de uma canção. Deixe Nicki Minaj e sua equipe transformarem um vídeo lírico num gesto de assentimento perturbador para ditaduras violentas, e uma homenagem aos seus senhores da elite. Depois de "canalizar" o molestador de crianças condenado Roman Polanski com seu "alter-ego" Roman Zolanski, Nicki Minaj interpreta agora o papel de um Hitler, literalmente. Enquanto uns podem dizer que o vídeo é "uma maneira de dizer a todos vocês que a Young Money disputa o jogo do rap", não é isso. O único motivo pelo qual a Young Money vem ganhando grande exposição é porque seus "artistas" estão empurrando ativamente a agenda da elite (ver meus inúmeros artigos sobre Nicki Minaj e Lil Wayne). Também vale a pena mencionar que a ditadura imitada nesse vídeo mandou milhões de pessoas para campos de concentração e massacrou a maioria delas. E isso aconteceu poucas décadas atrás. Quem gostaria de ser associado a isso? Ninguém, exceto os peões dos Illuminati a quem é dito o que fazer. A elite oculta sempre aprovou, em segredo, os caminhos da Alemanha nazista (ver como a Operação Paperclip trouxe 1.500 dos trabalhadores nazistas para a os Estados Unidos). E, através da gradual negação dos direitos e liberdades básicos combinada ao aumento das táticas policiais estatais, a elite  busca ativamente conduzir os Estados Unidos de volta àquele rumo. O clipe de Nicki Minaj está tentando fazer todo aquele horror parece legal e sexy, de algum modo.

Only não é, no entanto, somente sobre a II Guerra Mundial na Alemanha. É sobre a elite oculta de hoje e as suas tendências totalitárias. Cada artista na canção retrata uma "ramificação" da elite – um "ângulo" desde o qual controlam as massas. Rap costumava ser sobre "combater o poder" – agora é sobre "servir ao poder". Por isso Nicki Minaj, Drake, Lil Wayne e Chris Brown são retratados como chefes de um regime opressivo, ditatorial e militarista – ao qual a elite quer nos levar.



Nicki Minaj: Lider carismática

Toda ditadura precisa de um líder carismático que as massas ignorantes temerão e idolatrarão. Este papel é desempenhado por Minaj.


Minaj de pé, na frente de aviões de guerra prestes a fazer guerra em algum lugar. É, aparentemente, guerra agora é legal. Uma antena usada para espalhar a propaganda.


Quando Minaj diz "Yo", o som é emitdo desde a antena e transforma o mundo em vermelho. Isso representa como os políticos espalham a propaganda da elite que fica nas sombras.


Esta é uma réplica do Portão de Brandemburgo durante a Alemanha nazista. A única diferença é que vemos o logotipo da Young Money nos banners em vez de uma suástica... e tem Minaj em tamanho gigantesco por trás, no topo.


Desfile nazista no Portão de Brandenburgo, 1930.



Em cada lado de Minaj estão figuras encapuzadas de preto. Seriam elas a elite sombria controlando o líder carismático? 



Chris Brown: O militar

A elite conta com uma força militar de alta tecnologia para invadir países e oprimir seu próprio povo através de uma policia militar. Chris Brown faz o papel do general.


Chris Brown como um general de pé, na frente de armas de fogo.

Observe que Chris Brown está usando o uniforme de um general americano dando a entender que o vídeo é sobre uma ditadura moderna. Trata-se da elite oculta procurando trazer uma Nova Ordem Mundial. Outras imagens apontam para o mesmo sentido.


Imagens de mísseis modernos lançados são exibidas enquanto Chris Brown canta. Sofremos tanta lavagem cerebral ao ponto de esperarem que nós dancemos enquanto assistimos mísseis explodindo?



Em várias ocasiões, vemos imagens de câmeras de segurança filmando você, o espectador. Vigilância de alta tecnologia é um elemento importante da NOM.


Não havia câmeras de vigilância durante a II Guerra Mundial. Mostrar câmeras de segurança te permite saber que tudo isso é sobre o estado policial que a elite está tentando trazer agora. Nos últimos anos, tem havido um esforço constante para mostrar câmeras de vigilância em videoclipes, a fim de normalizar sua existência. Querem que você pare de perceber que o Grande Irmão está te vigiando.



Drake: Religião estatal

Por que Drake, que é judeu, está participando de um vídeo que é muito inspirado na Alemanha nazista? Ele está consciente de que, se vivesse na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, seria mandado a um campo de concentração para viver em condições terríveis até sua execução? De qualquer modo, no vídeo, Drake está vestido como um padre católico, mas a sua "Igreja" não trata do cristianismo – é uma religião estatal criada pela ditadura.
 

O logotipo da YM está no banner dentro da Igreja (e no chapéu papal de Drake), indicando que essa religião foi criada para servir aos interesses da ditadura.


O livro da Young Money. Provavelmente está cheio de letras de rap terríveis.



Lil Wayne: Megacorporações

Existe alguma pessoa que pareça mais corporativista do que Lil Wayne? A resposta é: Sim, existe. Lil Wayne, no entanto, representa megacorporações que são propriedade da elite mundial.


Lil Wayne com um "poderoso" terno numa sala de reuniões a tomar importantes decisões de negócios.


Megacorporações são o "ramo dos negócios" da elite e têm voz nas decisões internacionais (pesquise CEOs de corporações que participam de reuniões dos Bilderberg e da Comissão Trilateral). Essas corporações possuem os meios de produção de várias indústrias e possuem quase todos os meios de comunicação.



O logotipo da YM em outdoors te permite saber que a elite usa meios de comunicação para promover sua ditadura como se fosse um produto.


O rosto de Lil Wayne na televisão: Filmes, clipes de música e programas de TV são usados para promover a ditadura.



Conclusão

O vídeo lírico de Only causou polêmica devido à saudação à Alemanha Nazista. Mas vai mais longe que isso. É sobre uma ditadura moderna completa, com vigilância de alta tecnologia, armamento militar avançado e propaganda nos meios de comunicação. Em suma, é sobre as várias maneiras como a elite de hoje está tentando trazer um governo totalitário para o mundo – a Nova Ordem Mundial. Embora o videoclipe faça os artistas parecerem poderosos e no controle, eles continuam peões, usados como uma frente "atraente" para o regime que a elite está tentando trazer.

Por que esses artistas aceitariam ser associados à guerra, opressão, morte, sofrimento humano e loucura militarista? Porque ninguém perguntou seus pontos de vista políticos, fazem como lhes foi dito. E é disso que se trata, na verdade, a Young Money.


Tradução: Admin BQP

Fonte: The Vigilant Citizen

segunda-feira, 10 de novembro de 2014



Michael Jackson deixou pra trás uma grande quantidade de obras de arte e seu simbolismo é muito revelador. Elas fornecem uma rara visão sobre seus conflitos internos e, o mais importante, estão cheias de imagens e gatilhos relacionados ao controle mental Monarca.


A história de Michael Jackson é a história de tudo o que está errado na indústria do entretenimento. Empurrado para os holofotes desde muito jovem, Jackson tornou-se literalmente um escravo da indústria da música. No auge do estrelato, MJ lentamente, mas com certeza, se metamorfoseou numa pessoa completamente diferente. Apesar de suas mudanças físicas terem sido as mais óbvias, ele também mostrou sinais de abuso psicológico pesado. Foi ele submetido à programação Monarca durante uma fase crucial da vida? Novas pistas parecem apontar para esse sentido.

Uma coleção de desenhos nunca vistos, feitos por Michael Jackson, está agora à venda por um homem da Flórida que os possui e seu simbolismo é bastante revelador. Eles casam completamente com a "arte" temática MK exposta neste site, tais como as pinturas feitas pela sobrevivente ao MK Kim Noble (ver artigo sobre ela aqui). Aqui estão eles.



Este desenho mostra um rosto sorridente que está ligado a vários fios. Os fios estão conectados ao que parecem ser interruptores. Seria uma referência à tortura com eletrochoque? Além disso, parece haver pequenos chifres crescendo em sua cabeça.



Um relógio estranho no qual somente o número 7 é visível. MJ parecia ser obcecado com esse número em particular – o que não é uma obsessão incomum nos escravos MK.



Esta ilustração mostra o rosto de MJ e o número sete acima dele. A metade de baixo do rosto está deformada e hachurada como se estivesse sendo eletrocutado. Seria outra referência à tortura com eletrochoque?



Esta imagem mostra uma visão de raios X do corpo. De acordo com a fonte original, "no campo da arteterapia isso pode indicar um possível descompasso entre o corpo, mente e realidade". Em outras palavras, esta imagem pode representar MJ sendo dissociado do seu corpo e da realidade o objetivo da programação Monarca.



Esta imagem apresenta três pessoas um homem, uma mulher e uma criança. As três pessoas, no entanto, têm o mesmo rosto (e a mesma expressão facial), sugerindo a fragmentação da personalidade central em opostos dualistas (masculino e feminino) e o surgimento de uma nova persona (a criança).





O rosto de um palhaço medonho desenhado num fundo vermelho (que faz lembrar sangue, raiva e violência). Combinadas com o rosto perturbador, as palavras "Eu realmente te amo" não parecem ser sinceras, como vindas de um embusteiro (o manipulador MK?).



Os conceitos de espelhamento, dualidade e uma persona criança aparecem novamente.


Esta imagem é MKULTRA 101. Tudo é sobre o conceito de dualidade e fragmentação da personalidade. Dos guarda-chuvas virados em sentidos opostos aos rostos espelhados exibindo emoções opostas e o padrão xadrez na parte inferior, é uma das pistas mais claras apontando para MJ ter sido submetido a controle mental. Ademais, partes de seu corpo parecem "anexadas", que é como os escravos MK são programados para se sentir.



As pinturas de Kim Noble uma sobrevivente ao MK frequentemente apresentam os temas da dualidade, fragmentação da persona central e trauma. Isto no chão é sangue?


A capa de "Blood on the Dance Floor" de MJ é extremamente simbólica. Sobre um piso de padrão xadrez maçônico, MJ está vestido de vermelho  a cor do sacrifício. O nome "Blood on the Dancefloor" [Sangue na Pista de Dança] é uma referência ao sacrifício de sangue no piso maçônico ritualístico.




Embora grande parte da vida de Michael Jackson ainda seja um mistério, esses desenhos incrivelmente significativos podem adicionar uma peça ao quebra-cabeça. Eles contêm muitos dos temas centrais do controle mental Monarca e são permeados por conceitos com os quais os escravos MK parecem ser obcecados.



Tradução: Admin BQP

Fonte: The Vigilant Citizen

segunda-feira, 3 de novembro de 2014





O psicólogo russo Ivan Pavlov (1849 - 1936) demonstrou que a estimulação contraditória é a maneira mais rápida e eficiente de quebrar as defesas psicológicas de um indivíduo (ou de um punhado deles), reduzindo-o a um estado de credulidade devota no qual ele aceitará como naturais e certos os comandos mais absurdos, as opiniões mais incongruentes.

Isso funciona de maneira quase infalível, mesmo que os estímulos sejam de ordem puramente cognitiva e sem grande alarde emocional (frases contraditórias ditas numa seqüência camuflada, de modo a criar uma confusão subconsciente). Mas é claro que funciona muito mais se o sujeito for submetido ao impacto de emoções contraditórias fortes o bastante para criar rapidamente um estado de desconforto psicológico intolerável. Esse mesmo desconforto serve de camuflagem, pois a vítima não tem tempo de averiguar que a contradição vem da fonte, e não do seu próprio interior, de modo que ao estado de aflição vêm somar-se a culpa e a vergonha. A reação automática que se segue é a busca desesperada de um novo padrão de equilíbrio, isto é, de um sentimento mais abrangente que pareça comportar em si, numa síntese dialética, as duas emoções inicialmente vivenciadas como contraditórias, e que ao mesmo tempo possa aliviar o sentimento de vergonha que o indivíduo sente perante a fonte estimuladora, que a esta altura ele toma como seu observador crítico e seu juiz.

Se o leitor examinar com certa atenção o discurso esquerdista, verá que ele procura inspirar no público, ao mesmo tempo, o medo e a compaixão. Esta dupla de sentimentos não é contraditória em si, quando cada um deles se coloca num plano distinto, como acontece na tragédia grega, onde os espectadores sentem compaixão pelo herói e medo da engrenagem cósmica que o oprime. Mas, se o objeto de temor e de compaixão é o mesmo, você simplesmente não sabe como reagir e entra num estado de “dissonância cognitiva” (termo do psicólogo Leon Festinger), a um passo da atonia mental que predispõe à subserviência passiva.

Digo medo e compaixão, mas nunca de trata de emoções simples e unívocas, e sim de duas tramas emocionais complexas que prendem a vítima ao mesmo tempo, tornando-a incapaz de expressar verbalmente a situação e sufocando-a numa atmosfera turva de confusão e impotência.

Na política revolucionária, a estimulação contraditória toma a forma de ataques terroristas destinados a intimidar a população, acompanhados, simultaneamente, de intensas campanhas de sensibilização que mostram os sofrimentos dos revolucionários e da população pobre que eles nominalmente representam. As destruições de fazendas pelo MST são um exemplo nítido: a classe atacada fica paralisada entre dois blocos de sentimentos contraditórios – de um lado, o medo, a raiva, o impulso de reagir, de fugir ou de buscar proteção; de outro, a compaixão extorquida, a culpa, o impulso de pedir perdão ao agressor.

Não é coincidência que a primeira descrição científica desse mecanismo tenha sido obra de um eminente psicólogo russo: o emprego da estimulação contraditória já era uma tradição no movimento revolucionário quando Ivan Pavlov começou a investigar o assunto justamente nos anos em que se preparava a Revolução Russa. Seus estudos foram imediatamente absorvidos pela liderança comunista, que passou a utilizá-los para elevar a manipulação revolucionária da psique às alturas de uma técnica de engenharia social muito precisa e eficiente, capacitada para operações de grande porte com notável controle de resultados.

Nas últimas quatro décadas, com a passagem do movimento revolucionário da antiga estrutura hierárquica para a organização flexível em “redes” informais com imenso suporte financeiro, o uso da estimulação contraditória deixou de ser uma exclusividade dos partidos comunistas e se disseminou por toda sorte de organizações auxiliares – ONGs, empresas de mídia, organismos internacionais, entidades culturais – cuja índole revolucionária não é declarada ex professo, o que torna o rastreamento da estratrégia unificada por trás de tudo um problema muito complexo, transcendendo o horizonte de consciência das lideranças empresariais e políticas usuais e requerendo o concurso de estudiosos especializados. Em geral, os liberais e conservadores estão formidavelmente desaparelhados para enfrentar a situação: esforçam-se para conquistar o público mediante argumentos lógicos em favor da democracia e da economia de mercado, quando o verdadeiro campo de batalha está situado muito abaixo disso, numa zona obscura de paixões irracionais administradas pelo adversário com todos os requintes da racionalidade e da ciência

Em artigos vindouros ilustrarei o emprego da estimulação contraditória por vários “movimentos sociais”: feminista, gayzista, abortista, ateísta, ecológico, etc


Olavo de Carvalho
Diário do Comércio (editorial), 14 de março de 2008

Fonte: Olavo de Carvalho